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terça-feira, 24 de julho de 2012

Ser mãe - ninguém disse que não era fácil

Estava conversando com uma amiga que teve bebê há pouco tempo. Falamos das dificuldades, das mamadas de madrugada, do complemento, do seio que racha. E depois a constatação: fomos enganadas!
Não me entendam mal, acho que a maternidade continua sendo algo maravilhoso e que apesar das dificuldades vale muito a pena. Acontece que há uma romantização muito grande e a cobrança, de um monte de gente, da sociedade, e principalmente nossa é enorme!
Uma das queixas da minha amiga foi de que a filhinha estava precisando tomar fórmula láctea para complementar a mamada e ela estava se sentindo mal. Eu disse a ela que a minha filha também tomou fórmula, que apesar do que dizem não largou o peito e que mamou até um ano. E eu também me sentia mal. Me senti muito mal quando na consulta com a pediatra, após 15 dias de nascida, ela não havia nem mesmo recuperado o peso que perdeu logo após o nascimento e a pediatra receitou a fórmula.
E ninguém havia me falado que amamentar não seria tão fácil.
Nas campanhas sobre amamentação parece que é algo muito simples, instintivo. Você pega a criança, coloca no seio e ele mama.
Lamento dizer, mas não foi isso que aconteceu.
Minha primeira grande decepção foi não ter tido parto normal. Já estava tudo combinado. Tive contrações a  noite inteira, liguei para a minha médica, fui ao hospital pela manhã. A Bel estava encaixada, na posição certa, sem volta de cordão no pescoço. Mas eu não tinha dilatação nenhuma. Nisso a médica resolveu induzir para ver se acelerava o trabalho de parto. Colocou a oxitocina na veia, doía tanto que mal dava para respirar. Continuei sem contração. A médica resolveu estourar a bolsa para ver se ajudava a aumentar a contração. Quando estourou a bolsa, a surpresa: a Maria Isabel havia feito mecônio (o primeiro cocô do bebê) na barriga. Ela estava em sofrimento, com os batimentos baixando. Fui para a cesárea.
Segundo: o bico do meu seio era curto e meu filhote não conseguia pegá-lo. Quando no pré-natal a obstetra me perguntou sobre o seio, se estava tudo ok, eu respondi que sim. Eu nem imaginei que o bico do meu seio não era normal.
Terceiro: nas tentativas de fazer minha filha mamar, o bico do seio rachou. E doeu muito. E não tinha como não oferecer o peito. Quando enchia de leite, doía mais. Dava vontade de chorar.
Quarto: Você fica um bagaço. A criança acorda várias vezes para mamar, você não consegue dormir. Nas primeiras noite quando ela dormia eu levantava para ver se ela estava respirando.
Quinto: Banho se resumiu por muito tempo a jogar uma água no corpo correndo, torcendo para ela não começar a chorar antes de terminar. Aí algumas pessoas viram para você e dizem que não é porque você virou mãe que tem que se descuidar da aparência. Agora me digam, se mal dá tempo para tomar banho, imaginem fazer as unhas, arrumar o cabelo, sair para comprar roupas. Fora que você acha que vai ganhar bebê e que a barriga vai ficar na maternidade, mas ela volta com você para casa quando você recebe alta.
Sexto: Não sei como é a recuperação do parto normal, mas da cesárea é uma droga. Parece que a barriga vai se soltar do restante do corpo. No hospital é ótimo, você está tomando morfina na veia. Quando você chega em casa, não há paracetamol que resolva.
Sétimo: Vida sexual? O que é isso?
Oitavo: ser mãe é sentir culpa. Culpa por dar complemento, culpa porque acabou a licença-maternidade e você vai trabalhar, culpa por ficar pouco tempo com o filho, culpa por não poder ir para a droga da apresentação do dia das mães que a escola marcou na quarta-feira que você tem uma reunião importantíssima no trabalho. Culpa porque a cria é filha única, culpa por não ter comprado a boneca que ela queria, culpa por ter gastado dinheiro comprando a bendita boneca que ela queria e ela brincou com a boneca por meia hora. Porque depois de meia hora nem você, nem seu marido, nem a criança aguentavam mais ouvir a boneca pedir comida, pedir para dormir e pedir para brincar. Aliás, se você acha que ser mãe pode ser chato, a boneca é muito mais chata. Perto da boneca, ser mãe é uma felicidade só.

A boa notícia? Por mais que você não acredite, isso passa. E depois você mal se lembra do que passou. E ser mãe é muito bom. É muito emocionante olhar para aquele serzinho e sentir um amor enorme no peito. É um amor muito, muito grande. Acho que a gente só sabe o que é amar alguém de verdade no dia que tem um filho, nada se compara!
É muito gratificante ver a evolução do seu filho. Um dia eles não conseguem sentar, no outro já sentam sozinho. As primeiras palavras, os primeiros passos. A evolução na escola, dos rabiscos iniciais à escrever o próprio nome. Da escrita do nome à escrita de outras palavras.
É emocionante ver que ela consegue raciocinar, dialogar e te convencer de algo que para ela é importante, pode ser dormir meia hora mais tarde ou um brinquedo.

Eu achava besteira as mães chorarem quando recebiam cartão de Dia das Mães feito pelo filho. Eu chorei esse ano quando a Maria Isabel leu um poema de Feliz Dia das Mães para mim.

Ter filho força o nosso amadurecimento. São outras responsabilidades, outras exigências, outras prioridades. Se antes de ter filho não tinha problema nenhum gastar o salário em quinze dias, as coisas mudam de figura depois do aparecimento desse ser em nossas vidas. Afinal de contas, tem que comprar comida, ela pode ficar doente, pode precisar de algo e eu não quero ser uma mãe desequilibrada.
Você começa a comer melhor, você não vai querer que seu filho coma apenas bobagens, não é?
Você começa a triar melhor o que assiste na televisão. Você começa a ser mais seletiva nas relações pessoais e na vida social. Por que eu vou perder uma hora com minha filha para ficar com pessoas que eu nem gosto em um programa que para mim não é importante?

É isso. Ser mãe é muito bom, mas bem que poderiam ter avisado que não era tão fácil.

8 comentários:

Daniela Figueiredo disse...

Adorei o texto, uma forma muito bem humorada de dizer sobre as mazelas de ser mãe.Dá para entender o ditado que diz que as mães padecem no paraíso. Ser mãe é doar-se, é querer ser melhor, para que o filho seja melhor. É dedicação.
Não sei se um dia estarei preparada para ser mãe, no momento está bom assim.
Beijos!

Kika disse...

Mas você não é apenas MÃE é uma SUPER HIPER MEGA MÃE, a Maria Isabel agradece todos os dias a mãe que tem, e eu agradeço todos a esposa, amiga, guerreira que você é, mas mesmo assim ser mãe não é mesmo fácil!!!
Excelente texto, estava sentindo falta deles...

bjs

Vítor Andrade.'.

Iracema Bragança disse...

As enfermeiras na hora que e entregua os filhos para vc na maternidade vem com um manualzinho de como conduzir esse bebê; esse manual devia vim antes isso sim kkkkkkkkkkkk..... qdo me entregaram o João Phellipe eu senti que ele veio junto com o manual de instruções.... muito bom o seu texto.... bjos

Flávia disse...

Muito bom ler teu post! E a grande verdade é que passa muito rápido mesmo! Beijo
Flávia

Kika disse...

Oi, Flávia, e como passa rápido! Tem momentos que olho para minha filha e penso: "Como está grande!"

Kika disse...

Iracema, a minha veio sem manual! Acho que todas as maternidades poderiam providenciar algo assim!

Marcia disse...

Concordo com você em gênero, número e grau. Passei pelos mesmos problemas de amamentação e para mim, amamentar foi muito ruim. Doeu, sangrou, o bebê não se satisfazia e ninguém me contou que isso podia acontecer . Depois de tudo, fiquei sabendo que a minha mãe e minha irmã mais velha tinham passado pelo mesmo problema . Por que elas não contam a verdade? Medo de que pensem que elas não são boas mães?Perguntou para mim, eu respondo : É lindo ser mãe,é sentir o maior amor do mundo, mas a amamentação é um porre ! #prontofalei!

Kika disse...

Márcia, acho que é bem isso que você falou, eu entendo a importância da amamentação e todo o resto, mas as pessoas, a mídia, o mundo faz você se sentir mal por não conseguir amamentar.